No dia Em 10 de agosto, a Colômbia foi atingida por um terremoto de magnitude 7,4, com epicentro na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a cerca de 103 quilômetros de profundidade.
O tremor atingiu principalmente o oeste do país e provocou mortes, feridos, desaparecimentos e graves danos à infraestrutura.
Mas, enquanto equipes de resgate procuravam sobreviventes e as autoridades avaliavam os estragos, outro trabalho igualmente importante começava: identificar as vítimas.
É nesse momento que a ciência forense assume um papel fundamental.
O que aconteceu no terremoto da Colômbia?
O terremoto ocorreu nas primeiras horas da manhã do dia 10 e foi sentido em diferentes regiões colombianas. Chocó, Valle del Cauca, Caldas e Risaralda estiveram entre as áreas afetadas.
Nos primeiros levantamentos, as autoridades registraram centenas de mortes, milhares de feridos e pessoas desaparecidas. Como ocorre em grandes desastres, os números foram sendo atualizados à medida que as equipes avançavam nas buscas e na avaliação dos danos.
O impacto também atingiu casas, hospitais, escolas, vias e outras estruturas. Em Cali, por exemplo, foram registradas vítimas, pessoas feridas, desaparecidos e estruturas colapsadas.
Mas uma tragédia dessa dimensão apresenta um desafio que nem sempre aparece nas imagens dos resgates: como saber quem são as pessoas que morreram?
Como funciona a identificação forense?
A identificação de vítimas de desastres é um trabalho multidisciplinar. Diferentes informações são reunidas antes que uma identidade seja oficialmente confirmada.
Entre os principais métodos estão:
DNA
O exame genético pode comparar material biológico da vítima com amostras de familiares ou com materiais previamente disponíveis.
É especialmente importante quando outros métodos não conseguem produzir uma identificação conclusiva.
Odontologia forense
Os dentes e estruturas da boca podem fornecer informações extremamente úteis.
Prontuários odontológicos, radiografias e características da arcada dentária podem ser comparados com os registros disponíveis antes da morte.
Impressões digitais
Quando preservadas, as impressões digitais podem permitir uma identificação rápida e precisa, principalmente quando existem registros anteriores para comparação.
Antropologia forense
A análise dos ossos pode ajudar a estabelecer características como sexo biológico, idade aproximada, estatura e possíveis particularidades individuais.
Essas informações também podem ser combinadas com outros métodos para chegar à identificação.
A ciência por trás da identificação
Quando uma grande tragédia acontece, os números das vítimas aparecem rapidamente nas notícias. Mas, por trás de cada número, existe uma pessoa, uma história e uma família esperando por respostas.
Em situações como o desastre ocorrido na Colômbia, o trabalho da medicina legal e da perícia médica se torna fundamental para compreender o que aconteceu, identificar vítimas e ajudar a devolver sua identidade às famílias.
Para falar sobre esse trabalho, seus desafios e a importância da ciência forense em momentos de tragédia, conversamos com Caroline Daitx, médica especialista em Medicina Legal e Perícia Médica.
Em uma tragédia como a da Colômbia, quais são os maiores desafios para identificar uma vítima encontrada entre os escombros?
Em grandes desastres, um dos principais desafios é justamente o estado em que os corpos podem ser encontrados. Soterramento, trauma, fragmentação e o tempo transcorrido podem dificultar ou até inviabilizar o reconhecimento visual.
Do ponto de vista pericial, identificar não significa apenas reconhecer uma pessoa. É necessário estabelecer essa identidade de maneira tecnicamente segura.
Para isso, podem ser utilizados diferentes elementos, como impressões digitais, registros odontológicos e análise de DNA, além de outras informações que auxiliem na comparação entre os dados da pessoadesaparecida e os achados do exame.
Outro ponto fundamental é a rastreabilidade. Desde o momento da localização, é importante preservar corretamente as informações relacionadas a cada corpo ou fragmento encontrado, porque elas farão parte de todo o processo posterior de identificação.
Como a identificação das vítimas ajuda uma sociedade a registrar historicamente um desastre como o terremoto na Colômbia?
A identificação tem uma dimensão que ultrapassa o trabalho pericial. Ela permite estabelecer quem são as pessoas que morreram e produzir registros oficiais mais confiáveis sobre a dimensão humana de uma tragédia.
Essas informações possuem repercussões jurídicas, administrativas, epidemiológicas e históricas. Mas existe também uma dimensão muito importante para as famílias: enquanto alguém permanece desaparecido, permanece também uma incerteza.
A identificação permite dar uma resposta objetiva sobre o destino daquela pessoa e possibilita os procedimentos legais e
os rituais de despedida.
Em grandes tragédias, portanto, identificar é também preservar a identidade das pessoas atingidas pelo desastre, para que elas não sejam registradas apenas como um número.
Para ver a entrevista completa, escute em primeira mão no podcast PS.
