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The Boys: esquerda ou direita?

The Boys: esquerda ou direita?

Se você já assistiu a The Boys, provavelmente se fez essa pergunta: afinal, a série é de esquerda ou de direita?

A resposta mais honesta, e também a mais interessante é: nenhum dos dois lados. A produção se destaca justamente por construir uma crítica ampla, ácida e desconfortável sobre poder, política e sociedade contemporânea.

Super-heróis e política

Criada por Eric Kripke, The Boys adapta os quadrinhos de Garth Ennis e transforma o universo dos super-heróis em uma metáfora direta do mundo real.

Na série, a corporação Vought International controla heróis como produtos: gerencia suas imagens, vende campanhas publicitárias e manipula narrativas para manter poder e lucro.

E é exatamente aí que entra a crítica central.

Ativismo de fachada

Um dos pontos mais marcantes da série é a forma como ela retrata o chamado “ativismo corporativo”. Personagens como a Maeve têm sua identidade explorada como estratégia de marketing, não como causa genuína.

A Vought transforma pautas sociais em campanhas, não por compromisso, mas por lucro.

Essa abordagem dialoga com um fenômeno real: empresas que adotam discursos progressistas enquanto mantêm práticas questionáveis nos bastidores. A série expõe essa contradição com ironia constante.

Populismo e extremismo

Por outro lado, The Boys também faz críticas diretas ao nacionalismo extremo e à manipulação política.

O personagem Homelander (Capitão Pátria) é uma representação clara de liderança carismática levada ao extremo: um símbolo de poder que se sustenta na idolatria, no medo e na desinformação.

A série também satiriza:

  • o uso da mídia como ferramenta de controle
  • o fanatismo político
  • a instrumentalização da religião

Nada disso é apresentado de forma sutil, a crítica é direta.

Poder corporativo em The Boys

Apesar de tocar em temas ligados tanto à direita quanto à esquerda, a crítica principal da série parece mirar em algo maior: o poder das corporações.

A Vought não tem ideologia fixa. Ela se adapta conforme o público: medo, esperança ou revolta, dependendo do que gera mais engajamento.

Ela vende patriotismo para um grupo e diversidade para outro

Essa lógica reflete um sistema onde o objetivo não é defender valores, mas maximizar influência e lucro.

A sátira como ferramenta narrativa

O grande diferencial de The Boys está na forma como usa o exagero para revelar verdades.

Cenas absurdas, comerciais fictícios e personagens caricatos funcionam como espelhos da realidade. Ao rir, o espectador também reconhece elementos do mundo real e é isso que torna a série tão impactante.

A idolatria em The Boys

No fim das contas, The Boys não parece defender um lado político específico. Em vez disso, ela faz um alerta mais amplo:

  • sobre o perigo de idolatrar figuras públicas
  • a manipulação da informação
  • o poder concentrado nas mãos de poucos

Sejam políticos, celebridades ou bilionários, a série questiona o que acontece quando essas figuras são tratadas como intocáveis.

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