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Por que o Irã comparou Netanyahu a Voldemort na ONU?

Por que o Irã comparou Netanyahu a Voldemort na ONU?

Uma montagem publicada pela Embaixada do Irã em Gana transformou uma disputa diplomática em uma referência a uma das franquias mais conhecidas da cultura pop.

Depois do discurso de Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a representação iraniana publicou uma imagem que associava o primeiro-ministro de Israel a Lord Voldemort, o principal vilão de Harry Potter.

A legenda foi ainda mais direta: “Hoje, na ONU, o Lorde das Trevas deu uma lição de moral ao mundo. Até os Comensais da Morte saíram”.

A publicação foi feita em 24 de setembro de 2026, horas depois do discurso de Netanyahu. A imagem, segundo veículos que noticiaram o episódio, foi produzida com inteligência artificial.

A referência aos personagens de J.K. Rowling não aconteceu por acaso. Cada termo utilizado pela embaixada possui um significado dentro do universo de Harry Potter.

Mas por que Voldemort? E o que significa chamar alguém de “Lorde das Trevas” ou comparar diplomatas a “Comensais da Morte”?

A comparação entre Netanyahu e Voldemort

Na postagem, Netanyahu aparece associado a Voldemort, enquanto a legenda o chama de “Lorde das Trevas”.

Dentro da história de Harry Potter, Voldemort é o principal antagonista da série. Seu projeto envolve conquistar o poder no mundo bruxo, eliminar seus adversários e estabelecer uma sociedade baseada na supremacia dos bruxos de sangue puro.

Por isso, chamar alguém de “Voldemort” não é simplesmente dizer que essa pessoa é um vilão famoso. É utilizar uma personagem que, dentro da narrativa, representa poder autoritário, perseguição, violência e uma ideologia de supremacia.

Por que Voldemort também é chamado de “Lorde das Trevas”?

Esse é um dos detalhes mais interessantes da publicação. A embaixada não escreveu simplesmente “Voldemort”. Ela utilizou a expressão “Lorde das Trevas”, ou Dark Lord no original em inglês.

Esse é um dos títulos pelos quais Voldemort é conhecido no universo de Harry Potter. A própria história mostra que muitas pessoas tinham medo até mesmo de pronunciar seu nome.

Depois da primeira ascensão de Voldemort, expressões como “Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado”, “Você-Sabe-Quem” e “Lorde das Trevas” passaram a ser usadas para se referir a ele.

A ideia por trás disso é importante para entender a comparação feita pelo Irã: Voldemort se torna uma figura tão temida que seu próprio nome passa a ser evitado.

O site oficial de Harry Potter destaca justamente essa relação entre o nome e o medo. Até mesmo seguidores de Voldemort evitavam pronunciá-lo, enquanto personagens como Harry e Dumbledore insistiam em dizer “Voldemort”.

Assim, quando a publicação iraniana chama Netanyahu de “Lorde das Trevas”, ela está utilizando um título que, dentro da ficção, identifica o principal inimigo do mundo bruxo.

E por que “Comensais da Morte”?

A segunda parte da frase é ainda mais direta: “Até os Comensais da Morte saíram.” Os Comensais da Morte, conhecidos como Death Eaters na versão original, são os seguidores de Voldemort.

Eles formam o grupo de bruxos que apoia seu projeto de poder e participa de suas ações. Muitos carregam no antebraço a chamada Marca Negra, símbolo associado à organização.

Na história, a Marca Negra é representada por uma caveira com uma serpente saindo de sua boca. Ela funcionava como uma espécie de símbolo da organização e também como mecanismo de comunicação entre Voldemort e seus seguidores.

Portanto, ao dizer que “até os Comensais da Morte saíram”, a Embaixada do Irã fez uma segunda associação: Comensais da Morte são aqueles que estariam associados ou apoiando Netanyahu

A piada se conecta ao fato de diversas delegações terem deixado o plenário antes ou durante o discurso do primeiro-ministro israelense. A delegação brasileira estava entre as que deixaram o salão.

Ou seja, a embaixada transformou a saída dos diplomatas em uma cena equivalente à saída dos próprios seguidores do vilão.

A lição de moral

A frase completa publicada pela representação iraniana dizia que o “Lorde das Trevas deu uma lição de moral ao mundo”.

No discurso na ONU, Netanyahu apresentou sua defesa das ações de Israel em Gaza e contra o Irã, rejeitou as acusações de genocídio e afirmou que Israel teria impedido um genocídio.

Também criticou os países que deixaram o plenário e agradeceu ao presidente americano Donald Trump pelo apoio.

A Embaixada do Irã pegou justamente esse tom de confronto e o transformou em uma referência ao universo de Harry Potter.

Voldemort e Netanyahu

Outro ponto importante é que a comparação não está relacionada apenas ao fato de Voldemort ser um vilão.Existe também uma questão ideológica.

Voldemort e seus seguidores defendem uma hierarquia entre os bruxos. A chamada pureza de sangue coloca famílias de bruxos consideradas “puras” acima dos chamados mestiços e dos nascidos trouxas.

Os chamados trouxas são pessoas sem poderes mágicos. Essa ideia de superioridade é parte fundamental do conflito da série e ajuda a explicar por que Voldemort é associado a movimentos de perseguição e exclusão dentro da narrativa.

Por isso, quando alguém utiliza Voldemort como metáfora política, não está fazendo apenas uma referência a um personagem malvado. Está recorrendo a todo esse conjunto de símbolos.

A provocação

A postagem iraniana também veio em um contexto de intensa disputa de comunicação.

Antes do discurso de Netanyahu, o perfil oficial do primeiro-ministro israelense havia publicado uma montagem chamando críticos de Israel nas Nações Unidas de “papagaios”, incluindo representações de líderes como Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron.

A resposta iraniana veio utilizando outra referência da cultura popular.

Isso mostra como, nas redes sociais, governos e representantes diplomáticos passaram a utilizar ferramentas que normalmente associamos ao entretenimento: memes, montagens, personagens fictícios, vídeos curtos e referências de filmes e séries.

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