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Eleição antes da urna eletrônica

Eleição antes da urna eletrônica

Enquanto milhões de brasileiros se preparam para votar, existe uma curiosidade que costuma passar despercebida: o Brasil não vota da mesma maneira que boa parte do mundo.

Mas nem sempre foi assim.

Durante grande parte da história brasileira, votar significava lidar com papel, cédulas e contagens manuais. O processo eleitoral mudou bastante até chegar à urna eletrônica, que hoje faz parte da rotina dos brasileiros.

E existe uma curiosidade: enquanto o Brasil adotou a votação eletrônica em todo o país, outros países escolheram caminhos diferentes.

Do papel à urna eletrônica

A história eleitoral brasileira começou muito antes da tecnologia. Desde o período colonial, o território brasileiro já registrava eleições locais.

Durante o Império e boa parte da República, porém, o voto era feito por meio de cédulas e o processo de apuração dependia do trabalho manual.

Isso significava imprimir, distribuir, recolher e contar os votos. Além disso, o sistema eleitoral era muito diferente do atual. Durante determinados períodos, o voto não era secreto e a participação política era restrita a determinados grupos.

A criação da Justiça Eleitoral e do voto secreto, em 1932, foi uma das grandes mudanças desse processo. Décadas depois, veio a transformação tecnológica.

Quando surgiu a urna eletrônica no Brasil?

A urna eletrônica apareceu oficialmente nas eleições municipais de 1996.

Naquele primeiro teste em grande escala, cerca de um terço do eleitorado votou eletronicamente em 57 cidades. Nas eleições de 1998, o sistema foi ampliado. Em 2000, todo o eleitorado brasileiro passou a votar eletronicamente.

A mudança não aconteceu de uma hora para outra.

Antes da urna, a Justiça Eleitoral já havia informatizado etapas do processo, como o cadastro de eleitores e a totalização dos resultados. A urna foi, portanto, parte de um projeto maior de informatização das eleições brasileiras.

Brasil x Estados Unidos

Uma das comparações mais curiosas é com os Estados Unidos.

Enquanto o Brasil possui um sistema eletrônico nacional desenvolvido e administrado pela Justiça Eleitoral, os Estados Unidos utilizam diferentes tecnologias e procedimentos dependendo do estado e, em alguns casos, da jurisdição local.

Em muitas regiões americanas, o eleitor preenche uma cédula de papel que depois é lida por equipamentos de escaneamento óptico. Ou seja, mesmo utilizando tecnologia, o papel continua fazendo parte do processo.

No Brasil, por outro lado, a votação passou a ser integralmente eletrônica em 2000.

E na Europa?

Na Europa, também não existe um único modelo.

A Estônia é um dos exemplos mais conhecidos de votação digital. O país utiliza o voto pela internet desde 2005 e, atualmente, é o único país que disponibiliza o voto online em âmbito nacional para qualquer eleição, segundo a International IDEA. O eleitor pode escolher entre votar pela internet ou utilizar outras modalidades presenciais.

É uma proposta bem diferente da brasileira. Aqui, o eleitor precisa comparecer fisicamente à seção eleitoral e registrar seu voto na urna.

Portanto, quando falamos em “eleição digital”, é importante separar duas coisas: votação eletrônica não é a mesma coisa que votação pela internet. Ou seja, não existe um modelo único de eleição tecnológica.

Eleição na Índia

A Índia também utiliza máquinas eletrônicas de votação em larga escala. O país possui uma das maiores populações eleitorais do mundo e utiliza equipamentos eletrônicos próprios para registrar os votos.

Assim como no Brasil, o eleitor vai presencialmente ao local de votação. A diferença está no modelo tecnológico utilizado.

Isso mostra que a adoção da tecnologia eleitoral não criou um padrão mundial único. Cada país desenvolveu soluções de acordo com sua legislação, sua infraestrutura e suas instituições eleitorais.

Brasil: uma eleição quase toda digital

A principal característica brasileira é a escala.

Desde 2000, o país realiza suas eleições com votação eletrônica em todo o território nacional. O modelo brasileiro utiliza máquinas de registro eletrônico direto, conhecidas como urnas eletrônicas.

Enquanto alguns países continuam utilizando cédulas de papel e outros combinam papel e tecnologia, o Brasil construiu um sistema em que a votação e a apuração são fortemente informatizadas.

Isso também explica por que a urna eletrônica se tornou uma das imagens mais conhecidas das eleições brasileiras.

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