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O que é o Dia da Amazônia?

O que é o Dia da Amazônia?

A Amazônia é muito mais do que uma floresta. É território, cultura, biodiversidade, rios, povos e uma parte fundamental da história brasileira.

Todos os anos, em 5 de setembro, o Brasil celebra o Dia da Amazônia, e essa data foi criada oficialmente pela Lei nº 11.621, de 19 de dezembro de 2007, para ser comemorada em todo o território nacional.

Mas a história da data é ainda mais antiga, porque no Amazonas, o 5 de setembro já era utilizado desde 1968 para celebrar a Amazônia.

A escolha também está relacionada à história política do próprio estado: em 1850, nessa data, a então Comarca do Alto Amazonas foi elevada à categoria de Província do Amazonas, durante o Segundo Reinado.

Por isso, falar sobre o Dia da Amazônia não significa apenas lembrar uma data ambiental. É também olhar para a história de uma região que há séculos é habitada, explorada, disputada e transformada.

O que é a Amazônia?

Antes de tudo, é importante entender que Amazônia, Amazônia Legal e bioma Amazônia não são exatamente a mesma coisa.

O bioma Amazônia é um conjunto de ecossistemas caracterizado principalmente pela floresta tropical amazônica. No Brasil, ele é o maior bioma em extensão e ocupa aproximadamente 49,3% do território nacional, segundo o IBGE.

Já a Amazônia Legal é uma delimitação criada pelo Estado brasileiro para fins de planejamento e políticas públicas. Atualmente, compreende nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Ela corresponde a cerca de 58,9% do território brasileiro.

Essa diferença é importante porque muitos números divulgados sobre a Amazônia se referem à Amazônia Legal, enquanto outros tratam especificamente do bioma.

Amazônia: floresta e território humano

Existe uma ideia muito difundida de que a Amazônia seria um espaço vazio e intocado. mas a realidade é muito diferente.

A região é habitada há milhares de anos por povos indígenas, além de comunidades tradicionais, ribeirinhos, quilombolas e populações urbanas.

Esses povos desenvolveram conhecimentos sobre plantas, rios, animais, agricultura, alimentação e manejo do território.

Por isso, preservar a Amazônia também significa discutir direitos territoriais, cultura, economia e qualidade de vida.

A Amazônia e sua biodiversidade

A dimensão ambiental da Amazônia é gigantesca.

O bioma abriga uma das maiores diversidades de espécies do planeta e está associado à maior bacia hidrográfica do mundo.

O rio Amazonas e seus afluentes formam uma rede de rios que influencia ecossistemas, cidades e comunidades em uma enorme área da América do Sul.

A floresta também participa de processos fundamentais do ciclo da água e do clima.

Isso ajuda a explicar por que a Amazônia deixou de ser apenas uma questão regional e passou a ocupar um lugar central nas discussões internacionais sobre mudanças climáticas e conservação ambiental.

Da exploração ao debate ambiental

A relação do Brasil com a Amazônia também possui uma longa história de exploração econômica.

Durante diferentes períodos, a região foi marcada pela extração de recursos naturais, pela exploração da borracha, pela abertura de estradas, pela expansão agropecuária, pela mineração e por projetos de infraestrutura.

O ciclo da borracha, especialmente entre o final do século XIX e o início do século XX, transformou cidades como Manaus e Belém.

A riqueza produzida pelo látex chegou a financiar grandes obras e transformações urbanas.

O símbolo mais conhecido desse período é o Teatro Amazonas, inaugurado em Manaus em 1896.

Mas a riqueza não foi distribuída igualmente.

A exploração da borracha também esteve associada a condições extremamente difíceis de trabalho e à exploração de populações indígenas e trabalhadores nordestinos.

A história da Amazônia, portanto, também é uma história de riqueza, desigualdade e exploração.

O desmatamento continua sendo um desafio

No século XXI, um dos principais debates envolvendo a região é o desmatamento.

E os dados mais recentes mostram uma situação que merece atenção, mas também apresenta sinais de redução.

Segundo o INPE, a taxa consolidada de desmatamento na Amazônia Legal no período de agosto de 2024 a julho de 2025 foi de 5.731 km², uma redução de 12,07% em relação a 2024, quando foram registrados 6.518 km².

Os dados do sistema Deter, referentes a agosto de 2025 a julho de 2026, também apontaram uma queda significativa nos alertas de desmatamento: foram 2.874,38 km², uma redução de 36% em relação ao ciclo anterior e o menor valor da série histórica do Deter para esse período.

Isso não significa que o problema esteja resolvido.

Uma redução do desmatamento é uma notícia positiva, mas milhares de quilômetros quadrados de floresta continuam sendo pressionados por atividades ilegais e por diferentes formas de ocupação e exploração do território.

Garimpo, queimadas e pressão sobre os rios

Outro problema importante é a contaminação dos rios.

O garimpo ilegal pode utilizar mercúrio, contaminando cursos d’água e afetando comunidades que dependem dos rios para alimentação, transporte e abastecimento.

Relatórios oficiais também apontam que desmatamento, queimadas, degradação ambiental e contaminação dos recursos hídricos afetam diretamente comunidades indígenas e a biodiversidade amazônica.

Por isso, quando se fala em preservação da floresta, não se trata apenas de proteger árvores.

Trata-se também de proteger água, animais, alimentos, territórios e pessoas.

Por que existe o Dia da Amazônia?

A criação do Dia da Amazônia possui justamente essa função simbólica: transformar a região em tema de reflexão e conscientização.

A lei federal que instituiu a data em 2007 determina que o 5 de setembro seja celebrado anualmente em todo o território nacional.

A data pode ser utilizada para discutir educação ambiental, biodiversidade, povos tradicionais, mudanças climáticas, desenvolvimento econômico e políticas públicas.

Mas também serve para lembrar que a Amazônia não pertence apenas ao imaginário brasileiro.

Ela é um território real, onde milhões de pessoas vivem.

A Amazônia hoje

Em 2026, a Amazônia continua no centro de uma das maiores discussões do planeta: como desenvolver economicamente uma região sem destruir os recursos naturais que sustentam sua população e seus ecossistemas?

Não existe uma resposta simples.

A região possui atividades econômicas legítimas, cidades, agricultura, mineração, infraestrutura e milhões de habitantes.

Ao mesmo tempo, existem desmatamento ilegal, garimpo, queimadas, invasões de terras e perda de biodiversidade.

O desafio está justamente em encontrar caminhos que conciliem desenvolvimento, fiscalização, ciência, proteção ambiental e direitos das populações locais.

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