Hoje é comum ver torcedores do Sociedade Esportiva Palmeiras usando camisetas, bandeiras e mascotes com um porco estampado.
O que muita gente não sabe é que esse apelido nasceu de um episódio do futebol paulista marcado por rivalidade, preconceito e até tragédia.
O episódio que marcou o futebol paulista
Nos anos 1960, o futebol em São Paulo era dominado por rivalidades entre clubes como Sport Club Corinthians Paulista, São Paulo Futebol Clube e Palestra Itália (Palmeiras).
E foi em 1969 que um fato trágico mudou a história do futebol de São Paulo.
Dois jogadores do Corinthians, Lidu e Eduardo, morreram em um acidente de carro. Na época, o regulamento do Campeonato Paulista não permitia que os clubes substituíssem atletas falecidos por novos jogadores inscritos.
Por isso, todos os times apoiaram a ideia de alterar o regulamento para permitir essa substituição, menos o Palmeiras, que votou contra a mudança.
A decisão gerou enorme revolta entre torcedores rivais e parte da imprensa esportiva da época.
Foi nesse contexto que adversários passaram a chamar o clube de “porco”, como forma de insulto, insinuando que o Palmeiras teria sido insensível à tragédia.
Ofensa para o Palmeiras
Durante anos, o termo foi usado de forma pejorativa pelos rivais.
Além da polêmica do voto, o apelido também carregava preconceitos ligados à origem italiana do clube, fundado em 1914 por imigrantes com o nome de Palestra Itália.
Chamadas ofensivas e provocações eram comuns nos estádios. Durante décadas, o torcedor palmeirense evitou adotar o apelido justamente por ele ter surgido como uma forma de ataque.
Nos primeiros anos de sua história, quando ainda se chamava Palestra Itália, o clube refletia o contexto político vivido pela comunidade italiana no Brasil nas décadas de 1920 e 1930.
Durante esse período, o regime de Benito Mussolini estimulava organizações e associações de imigrantes italianos ao redor do mundo a manter vínculos culturais e políticos com a Itália e em várias cidades brasileiras, incluindo São Paulo, clubes, escolas e sociedades italianas receberam apoio simbólico ou institucional de grupos ligados ao fascismo.
Alguns dirigentes e membros da comunidade que frequentavam o Palestra Itália demonstravam simpatia pelo regime, algo relativamente comum entre parte da elite imigrante da época, mas durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil rompeu relações com países do Eixo e passou a proibir manifestações ligadas à Itália fascista, o clube abandonou o nome Palestra Itália e passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras, marcando uma ruptura simbólica com aquele período histórico.
Quando o Palmeiras abraçou o apelido do porco
Nos anos 1980, a relação com o apelido começou a mudar. Em 1986, durante um clássico contra o Corinthians no Campeonato Paulista, a torcida palmeirense decidiu reagir de forma inesperada: levou um porco ao estádio e passou a gritar “Dá-lhe porco!”.
A partir daquele momento, o insulto foi ressignificado. O animal passou a representar orgulho, resistência e identidade do clube.
Hoje, o porco é um dos símbolos oficiais do Palmeiras e aparece em:
- bandeiras de torcida
- produtos oficiais
- mascotes do clube
- cantos nas arquibancada
