Quando pensamos em depilação, logo imaginamos um hábito comum hoje em dia.
Mas a prática de remover pelos é muito mais antiga do que parece e está ligada a costumes culturais, religiosos, padrões de beleza e até estratégias de marketing.
Depilação no Egito, Grécia e Roma
No Egito Antigo, a depilação tinha forte ligação com higiene e status social. As mulheres (inclusive Cleópatra, segundo registros) usavam pastas de açúcar e mel, uma espécie de versão primitiva da cera, além de pedras-pomes e lâminas feitas de bronze.
Já entre gregos e romanos, a ausência de pelos também era associada à juventude e à beleza idealizada nas esculturas.
Depilação: Idade Média e Renascimento na Europa
Com a influência da Igreja na Idade Média, o corpo feminino ficou cada vez mais coberto por roupas pesadas e longas, o que fez a depilação perder relevância.
Já no Renascimento, os padrões mudaram: pinturas mostram mulheres com sobrancelhas finíssimas ou até sem elas, pois a testa ampla era vista como símbolo de elegância. Mas os pelos do corpo, em geral, continuaram sendo mantidos.
Século XX: marketing e moda ditando padrões
Foi nos anos 1910 que tudo mudou nos Estados Unidos. Em 1915, a empresa Gillette lançou a primeira lâmina feminina, a Milady Décolleté, acompanhada de uma campanha publicitária que dizia que a depilação era a nova moda da Europa.
A afirmação não era exatamente verdade, apesar de algumas mulheres já removerem pelos, o hábito não era amplamente praticado.
Essa ideia ganhou força porque, na época, a moda começava a mudar: vestidos sem mangas e saias mais curtas passaram a revelar axilas e pernas, o que aumentou a pressão estética para que as mulheres retirassem os pelos visíveis.
Revistas femininas e de beleza ajudaram a disseminar a prática como sinônimo de feminilidade e modernidade.
Anos 1960: a depilação já consolidada nos EUA
Na década de 1960, com a popularização da minissaia e do biquíni, a depilação já fazia parte da rotina de grande parte das mulheres nos Estados Unidos.
O marketing das empresas de lâminas, aliado às mudanças de moda, consolidou o padrão. A cultura da depilação passou, então, a ser vista quase como um requisito de higiene e beleza feminina.
O movimento hippie e a liberdade estética
Por outro lado, os anos 1960 e 70 também trouxeram resistência.
O movimento hippie, marcado pela busca de naturalidade e liberdade, rejeitava padrões impostos, e muitas mulheres passaram a deixar os pelos crescerem como forma de protesto contra normas sociais.
Mas atualmente, a depilação é vista como uma escolha pessoal, variando entre culturas e estilos.
Há quem prefira lâmina, cera, laser ou até métodos naturais inspirados no passado, como a pasta de açúcar usada no Egito Antigo.
O importante é que, mais de 2 mil anos depois, seguimos mostrando que os padrões de beleza sempre foram construções sociais, muitas vezes reforçadas por interesses comerciais e de moda.
