Se você já ouviu falar de Ilíada e Odisseia, provavelmente conhece o nome Homero. Mas será que esse autor realmente existiu?
Ou seria apenas uma figura simbólica criada para representar um conjunto de tradições orais da Grécia Antiga?
Essa é uma das grandes questões da história da literatura, e até hoje intriga estudiosos do mundo inteiro.
Quem foi Homero?
Segundo a tradição, Homero foi um poeta grego que teria vivido por volta do século VIII a.C. Ele seria o autor de duas das obras mais importantes da literatura ocidental:
- Ilíada: que narra a Guerra de Troia
- Odisseia: que conta o retorno do herói Odisseu para casa após o conflito
Mas o detalhe curioso é que quase nada se sabe sobre ele com certeza.
O problema: não há registros concretos
Não existe nenhuma prova direta da existência de Homero. Não temos imagens, assinaturas, cartas ou relatos confiáveis de sua vida.
Até sua cidade natal é um mistério: sete cidades diferentes disputavam essa origem e algumas versões dizem que ele era cego, outras afirmam que era um andarilho que recitava poemas por onde passava.
E se Homero não for uma pessoa?
Uma das teorias mais aceitas é a de que “Homero” pode não ter sido uma pessoa, mas sim uma tradição oral.
Isso significa que os poemas atribuídos a ele podem ter sido compostos por vários poetas anônimos, ao longo de séculos, até serem finalmente escritos.
Essa hipótese é chamada de “questão homérica”, e divide os estudiosos em três grupos:
- Unitaristas – acreditam que Homero existiu e escreveu as obras de forma completa
- Analistas – acham que os poemas são uma colcha de retalhos, reunida por diferentes autores
- Neoanalistas – acreditam que as histórias têm base em lendas anteriores, mas foram organizadas por um poeta principal (possivelmente Homero)
O que dizem as evidências linguísticas
Pesquisas mostram que Ilíada e Odisseia foram compostas em uma mistura de dialetos e fórmulas poéticas típicas da tradição oral, como repetições e epítetos. Isso reforça a ideia de que esses poemas eram recitados de memória, antes de serem registrados por escrito, séculos depois.
