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Angra dos Reis: vale a pena conhecer as ilhas?

Angra dos Reis: vale a pena conhecer as ilhas?

Chegar a Angra dos Reis é como atravessar um portal: de um lado, o ritmo das cidades e do outro, um litoral pontilhado por mais de 300 ilhas, águas verde-esmeralda e uma história que mistura colonização, fé e presídios.

O arquipélago de Angra dos Reis

Angra dos Reis faz parte da Serra do Mar, uma cadeia montanhosa que, ao longo de milhões de anos, sofreu erosão e elevação do nível do mar.

O resultado foi um litoral recortado, onde antigos picos montanhosos viraram ilhas.

A mais famosa delas é Ilha Grande, hoje um dos destinos mais desejados do turismo brasileiro. Com mais de 190 km², ela já teve diferentes funções históricas:

  • ponto estratégico indígena antes da colonização
  • área de plantações e engenhos no período colonial
  • local de quarentena para imigrantes no século XIX
  • sede de um dos presídios mais temidos do país no século XX

Outras ilhas populares incluem Gipóia, Cataguases, Botinas e Itanhangá, cada uma com praias próprias, trilhas e histórias locais.

Ilha Grande e sua história

Durante o século XX, Ilha Grande ficou conhecida por abrigar o Instituto Penal Cândido Mendes, um presídio de segurança máxima que funcionou até 1994. O isolamento geográfico tornava a ilha ideal para encarceramento de presos considerados perigosos.

Foi ali que surgiu o Comando Vermelho, organização criminosa criada nos anos 1970 dentro da prisão. O grupo nasceu da convivência entre presos comuns e presos políticos durante a ditadura militar, que compartilharam estratégias de organização, proteção coletiva e comunicação.

Mas após o fechamento do presídio, a ilha começou a se reinventar como destino turístico ecológico.

Hoje, caminhar pelas trilhas da Ilha Grande é cruzar um território onde a natureza convive com ruínas históricas, antigas estruturas do presídio, lazaretos e construções coloniais ainda contam essa transformação.

A região guarda marcas do período colonial, quando o litoral servia tanto como rota estratégica do comércio quanto cenário de episódios sombrios.

Durante os séculos XVII e XVIII, o porto local foi ponto de passagem de embarcações que transportavam pessoas escravizadas para as fazendas do interior fluminense e de Minas Gerais, integrando a rede do tráfico atlântico.

Ao mesmo tempo, as enseadas recortadas e as inúmeras ilhas, especialmente Ilha Grande, ofereciam esconderijo perfeito para corsários e piratas que atacavam navios portugueses carregados de ouro, açúcar e mantimentos.

Há registros históricos de saques, contrabando e disputas marítimas na costa, o que levou a Coroa portuguesa a reforçar a vigilância na região.

A igreja de Angra dos Reis

A colonização portuguesa deixou marcas profundas na arquitetura religiosa da região. No centro histórico de Angra, igrejas antigas ajudam a entender o papel da religião na formação da cidade.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (do século XVII) é um dos principais marcos históricos, ligada à expansão colonial, à catequização e à organização social da vila.

Outras igrejas menores espalhadas pelo litoral e ilhas mostram como a fé funcionava como ponto de encontro comunitário para pescadores e colonos.

Na Matriz não há um grande mausoléu famoso nacionalmente, mas a igreja guarda sepultamentos antigos ligados à elite colonial da região.

Como era comum entre os séculos XVII e XIX, pessoas influentes, como autoridades locais, membros de famílias tradicionais, benfeitores da paróquia e figuras ligadas à administração portuguesa eram enterradas no interior do templo ou em seu entorno, prática que simbolizava prestígio social e proximidade com o sagrado.

Muitos desses túmulos hoje não têm identificação visível, seja por reformas, desgaste do tempo ou mudanças sanitárias que proibiram sepultamentos dentro de igrejas.

Assim, a matriz funciona mais como um espaço de memória histórica coletiva da antiga vila do que como um local associado a um personagem específico conhecido.

O que fazer em Angra dos Reis hoje

1. Passeio de escuna pelas ilhas

O clássico roteiro inclui:

  • Lagoa Azul (ótima para mergulho)
  • Ilhas Botinas (cartão-postal da região)
  • Praia de Cataguases (água rasa e cristalina)

2. Explorar Ilha Grande com calma

Destaques:

  • Praia de Lopes Mendes (frequentemente listada entre as mais bonitas do Brasil)
  • Vila do Abraão (centro turístico da ilha)
  • Trilhas para cachoeiras e mirantes
  • Ruínas do antigo presídio

3. Turismo histórico no centro de Angra

Caminhe pelas ruas coloniais, visite igrejas antigas e o cais, onde embarcações partem para as ilhas.

4. Experiências locais

  • mergulho e snorkel
  • passeios de lancha privativa
  • restaurantes com frutos do mar frescos
  • observação do pôr do sol no cais

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