História

Como foi a Revolução Russa?

Revolução Russa

No início do século 20, a Rússia ainda vivia sob um regime que parecia parado no tempo.

Enquanto a industrialização e as ideias liberais se espalhavam pela Europa, o país permanecia sob o domínio autocrático dos czares, que governavam como monarcas absolutos.

A sociedade russa era extremamente desigual: a elite aristocrática concentrava terras e riquezas, enquanto a grande maioria da população era formada por camponeses pobres e operários que enfrentavam longas jornadas de trabalho e baixos salários.

A repressão política era intensa, liberdade de imprensa, partidos e sindicatos praticamente não existiam.

A queda dos czares

O último czar, Nicolau II, assumiu o trono em 1894 e ficou conhecido por sua rigidez e incapacidade de lidar com as mudanças do mundo moderno.

Durante seu governo, a insatisfação popular só aumentou. A Guerra Russo-Japonesa (1904–1905) terminou com uma derrota humilhante para a Rússia, e o massacre do Domingo Sangrento em 1905, quando tropas do czar atiraram contra manifestantes pacíficos, mostrou ao mundo a fragilidade do regime.

Embora Nicolau tenha sido forçado a criar uma Duma (parlamento), ele continuou a governar com poderes absolutos, frustrando as esperanças de mudança.

Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, em 1914, a Rússia mergulhou de cabeça no conflito.

Porém, o país não estava preparado: faltavam armamentos, comida e até botas para os soldados. Milhões de russos morreram no front, e o colapso econômico fez os preços dos alimentos dispararem.

Em casa, a população passava fome, enquanto a corte imperial parecia viver isolada da realidade. A influência da mística figura de Grigori Rasputin sobre a família real só aumentava a desconfiança da opinião pública.

A Revolução de Fevereiro

Em Petrogrado (atual São Petersburgo), a situação explodiu em fevereiro de 1917 (março no calendário ocidental).

Greves em massa, manifestações por pão e paz e motins de soldados tomaram a cidade. Tropas enviadas para reprimir os protestos se recusaram a atirar e se juntaram aos manifestantes. A pressão foi insustentável.

Em 15 de março de 1917, Nicolau II abdicou do trono, encerrando mais de 300 anos da Dinastia Romanov.

O poder passou para um Governo Provisório, formado por políticos liberais e moderados, que prometiam convocar uma assembleia constituinte.

Porém, eles tomaram uma decisão impopular: continuar a guerra ao lado da Entente. Ao mesmo tempo, os sovietes, conselhos de operários, camponeses e soldados, cresciam em influência, criando uma situação de duplo poder no país.

Revolução de Outubro

Em abril de 1917, Vladimir Lenin, líder do Partido Bolchevique, retornou do exílio com um plano ousado: derrubar o Governo Provisório e entregar o poder aos sovietes.

Suas palavras de ordem, “Paz, pão e terra” capturaram perfeitamente o que a população queria. Com disciplina, organização e uma estratégia clara, os bolcheviques aumentaram rapidamente seu apoio entre trabalhadores urbanos e soldados cansados da guerra.

Em outubro (novembro no calendário ocidental), os bolcheviques lideraram uma insurreição armada em Petrogrado, tomando pontos estratégicos da cidade praticamente sem resistência.

Foi a Revolução de Outubro, que derrubou o Governo Provisório e colocou os bolcheviques no poder.

Lenin assumiu a liderança do novo governo, que logo assinou um acordo de paz com Alemanha (o Tratado de Brest-Litovski), retirando a Rússia da guerra, e iniciou reformas radicais: nacionalização de indústrias e terras, fim do poder da aristocracia e redistribuição de propriedades.

O nascimento de uma nova ordem

A queda do regime czarista e a vitória dos bolcheviques mudaram o curso da história. Em meio a uma guerra civil sangrenta (1918–1921) contra forças contrarrevolucionárias, os bolcheviques consolidaram o poder e criaram a União Soviética em 1922.

O colapso da velha ordem monárquica abriu caminho para o primeiro Estado socialista do mundo, que se tornaria uma das maiores potências do século 20, e um dos protagonistas da Guerra Fria.

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