História

A história do Irã: da Pérsia aos conflitos de 2026

A história do Irã: da Pérsia aos conflitos de 2026

O Irã é um dos países mais importantes, complexos e estratégicos do mundo, uma nação com mais de 2 500 anos de história que influenciou línguas, religiões, política e geopolítica.

Além disso, o país tem sido protagonista de momentos decisivos do século XXI, incluindo o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã em 2026.

Pérsia Antiga

A história do Irã começa com a antiga Pérsia, um dos maiores impérios da Antiguidade. A partir do século 6 a.C., sob o domínio da dinastia aquemênida, com figuras como Ciro, o Grande, o Império Persa se expandiu desde partes da atual Turquia até o atual Paquistão e Egito, se tornando um dos primeiros grandes impérios transculturais da história.

Com o tempo, o território sofreu invasões e transformações. Após o domínio persa clássico, a região foi conquistada por povos como os macedônios (de Alexandre, o Grande), os Partas e os Sassânidas.

A chegada do Islã e o Islã Xiita

No século 7, a conquista árabe introduziu o Islã no território persa.

Curiosamente, enquanto a maior parte do mundo islâmico adotou a vertente sunita, os iranianos desenvolveram, ao longo dos séculos, uma identidade majoritariamente xiita.

Essa escolha religiosa acabou moldando profundamente a cultura, a política interna e a relação do Irã com seus vizinhos, muitos deles sunitas.

Dinastias e reformas no Irã

Durante o período medieval e moderno, o Irã passou por uma série de dinastias que procuraram centralizar o poder e modernizar o país, incluindo os safávidas, qajar e pahlavis.

No início do século 20, sob o xá Reza Pahlavi, houve tentativas de modernização e secularização, inspiradas em modelos europeus.

A Revolução Islâmica de 1979

O momento que mais transformou a política iraniana foi a Revolução Islâmica de 1979, quando um movimento popular derrubou a monarquia e instaurou a República Islâmica, liderada por aiatolás e um sistema político teocrático.

Isso rompeu relações diplomáticas com os Estados Unidos, aliados do xá, e mudou radicalmente o posicionamento internacional do país.

Após essa revolução, foi criada a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que é uma unidade de elite das Forças Armadas criada para lutar contra o Estado Islâmico e funciona até hoje.

Influência além das fronteiras

Desde a revolução, o Irã buscou projetar poder na região apoiando grupos aliados como Hezbollah no Líbano, milícias xiitas no Iraque e movimentos palestinos. Essa estratégia fez com que Teerã fosse visto por muitos governos sunitas e pelo próprio Israel como uma ameaça à estabilidade regional.

Irã vs. Oriente Médio

Uma forma simples de entender o Irã em comparação com outros países da região é ver seus aspectos distintos:

  • Religião dominante: no Irã prevalece o Islã xiita, diferente de países como Arábia Saudita e Egito, que são majoritariamente sunitas
  • Sistema político: o Irã é uma república teocrática com uma forte liderança religiosa (Supremo Líder), enquanto muitos países do Oriente Médio possuem monarquias (como Arábia Saudita e Qatar) ou governos civis
  • Relações externas: ao contrário de Estados como Jordânia ou Marrocos, que mantêm relações relativamente estáveis com o Ocidente, o Irã tem uma relação histórica de tensão com os EUA e aliados ocidentais

A guerra entre EUA e Israel X Irã

No início dos anos 2000, o programa nuclear iraniano começou a preocupar potências ocidentais, que suspeitavam que Teerã buscasse armas nucleares, algo negado repetidamente pelo governo iraniano.

Isso levou à imposição de sanções, à retirada norte-americana do Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA) em 2018 e renovadas tensões diplomáticas e militares na década seguinte.

Em 28 de fevereiro de 2026, uma operação conjunta dos Estados Unidos e Israel iniciou uma série de ataques militares contra alvos estratégicos no Irã, incluindo centros de comando e infraestrutura militar, com o objetivo declarado de conter o programa nuclear e promover mudança de regime.

O conflito, chamado de Operação Leão Rugidor por Israel e Fúria Épica pelos EUA, causou uma forte escalada de confrontos em todo o Oriente Médio e resultou na morte de líderes iranianos, inclusive do Supremo Líder Ali Khamenei.

A resposta iraniana incluiu lançamentos de mísseis e drones contra alvos israelenses e bases americanas, assim como ações de aliados como o Hezbollah no Líbano.

A guerra afetou rotas de transporte como o Estreito de Ormuz, impactou o preço do petróleo globalmente e provocou deslocamentos civis em países vizinhos.

O interesse dos Estados Unidos no Oriente Médio sempre esteve profundamente ligado ao petróleo. Desde o século XX, garantir acesso estável a reservas energéticas estratégicas se tornou parte central da política externa americana.

Embora os EUA tenham aumentado significativamente sua própria produção nas últimas décadas, o petróleo do Golfo Pérsico continua sendo crucial para a estabilidade do mercado global e, consequentemente, para a economia americana, que também invadiu a Venezuela com esse mesmo motivo ainda em janeiro de 2026.

O Irã possui uma das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo, além de controlar uma posição estratégica próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.

Em cenários de conflito, qualquer ameaça ao fluxo nessa rota eleva preços internacionais e gera impacto direto sobre inflação, combustíveis e cadeias produtivas no Ocidente.

Assim, mais do que uma simples disputa ideológica ou militar, a tensão entre EUA e Irã também envolve segurança energética, influência geopolítica e controle de rotas estratégicas que moldam o equilíbrio econômico mundial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *