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A verdade sobre o grupo Pantera Negra

A verdade sobre o grupo Pantera Negra

Poucos movimentos políticos do século XX despertam tantas reações quanto os Black Panthers (Pantera Negra).

Criado nos Estados Unidos em meio a um cenário de racismo estrutural, violência policial e exclusão social, o grupo se tornou símbolo de resistência negra e também alvo de forte repressão do Estado.

Mais de 50 anos depois, seu nome, suas ideias e sua estética voltaram a circular com força no debate público.

Mas para entender por que os Black Panthers voltaram, é preciso primeiro compreender como e por que eles surgiram.

Como surgiu o grupo Black Panther?

A história começa em outubro de 1966, na cidade de Oakland, Califórnia. Dois jovens universitários negros, Huey P. Newton e Bobby Seale, estavam insatisfeitos com os limites do movimento dos direitos civis tradicional.

Enquanto líderes como Martin Luther King Jr. defendiam a não violência, Newton e Seale acreditavam que essa estratégia já não protegia a população negra da violência policial, do desemprego e da segregação.

Foi assim que nasceu o Black Panther Party for Self-Defense.

O nome Pantera Negra simbolizava um animal que não ataca primeiro, mas se defende com força quando acuado, exatamente como o grupo via a situação dos negros nos EUA.

Autodefesa armada

Um dos aspectos mais polêmicos dos Black Panthers foi o uso de armas de fogo. Porém, é importante um detalhe histórico muitas vezes ignorado:

  • Nos anos 1960, portar armas abertamente era legal na Califórnia, o que continua sendo verdade em alguns estados dos EUA

Os Panthers usavam esse direito para monitorar abordagens policiais em bairros negros, observando à distância e lendo em voz alta os direitos constitucionais dos cidadãos. O objetivo era inibir abusos, não provocar confrontos.

Essa prática rapidamente chamou a atenção da mídia e do governo.

Pantera Negra: programas sociais

Apesar da imagem armada, os Black Panthers eram também um movimento comunitário.

Eles criaram mais de 60 programas sociais, conhecidos como Survival Programs, entre eles:

  • Café da manhã gratuito para crianças
  • Clínicas de saúde comunitárias
  • Testes de anemia falciforme (doença que afeta majoritariamente negros)
  • Apoio educacional
  • Distribuição de roupas e alimentos

Esses programas tiveram tanto impacto que inspiraram políticas públicas federais nos anos seguintes, como a ampliação da merenda escolar nos EUA.

Pantera Negra: o inimigo do governo americano

O crescimento do grupo alarmou o Estado.

Nos anos 1960 e 1970, o FBI classificou os Black Panthers como uma das maiores ameaças à segurança interna dos EUA. Por meio do programa secreto COINTELPRO, o governo passou a:

  • Infiltrar agentes no movimento
  • Espalhar desinformação
  • Incentivar conflitos internos
  • Prender lideranças com acusações controversas
  • Realizar operações policiais violentas

O episódio mais emblemático ocorreu em 1969, com o assassinato de Fred Hampton, líder dos Panthers em Chicago, durante uma ação policial enquanto dormia.

Essas ações enfraqueceram o grupo, que oficialmente se dissolveu no início dos anos 1980.

O retorno dos Black Panthers

Tecnicamente, o Partido dos Panteras Negras original não existe mais. O que voltou foi seu legado político, simbólico e ideológico.

A partir de 2020, com:

  • Assassinatos de pessoas negras por policiais
  • Crescimento do movimento Black Lives Matter
  • Aumento da desigualdade social
  • Debates sobre racismo estrutural
  • Radicalização política nos EUA

As ideias defendidas pelos Panthers passaram a fazer sentido novamente para uma nova geração.

Em 2026, o que se observa é:

  • Grupos comunitários inspirados nos Panthers
  • Uso da estética (boinas, jaquetas pretas, punhos cerrados)
  • Resgate dos textos de Huey Newton e Angela Davis
  • Discussões sobre autodefesa comunitária
  • Críticas ao encarceramento em massa e à violência policial

Alguns grupos usam o nome, mas não possuem ligação direta com a organização original. O que existe é um renascimento simbólico, não institucional.

O retorno do debate sobre o grupo Pantera Negra revela algo maior: as condições que motivaram o surgimento do grupo nunca foram totalmente resolvidas.

Quando violência policial, desigualdade racial e exclusão econômica persistem, ideias antes consideradas radicais voltam ao centro da discussão.

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