A década de 2010 foi uma das mais transformadoras da história da música. Em apenas dez anos, vimos o mundo sair dos downloads no iTunes para o streaming onipresente, artistas independentes dominarem as paradas e gêneros musicais se misturarem como nunca antes.
De Adele a Billie Eilish, de Tyler, The Creator a BTS, de Lady Gaga a Bad Bunny, essa década redefiniu não só o som, mas também a maneira como ouvimos, consumimos e vivemos música.
O início da década: o pop dominava o mundo
Em 2010, o pop tinha o reinado absoluto. As rádios e as paradas eram lideradas por artistas como Lady Gaga, Katy Perry, Rihanna e Bruno Mars.
Canções como “Bad Romance” (2009, mas ainda em alta em 2010), “Firework” (2010), “Rolling in the Deep” (2011) e “Just the Way You Are” (2010) eram o som da época.
O pop dos anos 2010 tinha cara de festa e espírito de superprodução. Era a era dos videoclipes icônicos e da MTV em transição para o YouTube e os clipes musicais com o selo da VEVO, o que fazia as pessoas saberem que aquele era realmente o vídeo oficial.
Lady Gaga usava vestidos de carne, Katy Perry lançava clipes coloridos com doces e fogos de artifício, e o mundo inteiro cantava “We Found Love” (2011), de Rihanna e Calvin Harris. Sem falar na Bieber Fever que surgiu nessa época também.
O streaming e a revolução digital da música
Por volta de 2013, algo começou a mudar. O Spotify se popularizava, e o streaming transformava a forma de consumir música. Os álbuns começaram a perder espaço para singles e playlists, e artistas precisavam lançar conteúdo constante para se manterem relevantes.
Com os aplicativos, as pessoas pararam de baixar músicas por sites piratas, como o 4Shared e começaram a pagar planos de assinatura mensais.
Isso abriu espaço para novas sonoridades e artistas independentes, como Lorde, que em 2013 lançou “Royals”, uma crítica à própria ostentação do pop que virou um fenômeno mundial.
Ao mesmo tempo, o rap e o hip-hop começaram a assumir o protagonismo, como Kendrick Lamar que trouxe poesia e consciência social em “To Pimp a Butterfly” (2015).
O gênero se diversificou: Travis Scott, Post Malone, Cardi B e Nicki Minaj criaram estilos próprios que misturavam rap, pop e R&B.
A globalização da música
Outra grande mudança da década foi a explosão da música internacional. Antes restrita a nichos, a música em outros idiomas ganhou espaço global graças às redes sociais e ao streaming.
Em 2017, “Despacito”, de Luis Fonsi e Daddy Yankee, quebrou recordes e colocou o espanhol no topo das paradas mundiais. Na mesma época, o K-pop se tornou um fenômeno global com o sucesso do BTS, BLACKPINK e EXO.
Esses grupos levaram o pop sul-coreano, com suas coreografias perfeitas e visuais cinematográficos a estádios do mundo inteiro.
E não parou por aí: o reggaeton, o funk e o afrobeats também começaram a aparecer nas playlists do planeta. Artistas como Maluma, Anitta, Bad Bunny, J Balvin e Karol G mostraram que a música pop não tinha mais fronteiras.
A voz da nova geração
Nos últimos anos da década, o som ficou mais introspectivo e experimental.
A ascensão de artistas como Billie Eilish, com “Bad Guy” (2019), mostrou que o público buscava autenticidade e vulnerabilidade, e não apenas glamour.
O mesmo aconteceu com Lana Del Rey, que trouxe o “cinema triste”, e com Frank Ocean, que explorou temas de amor, identidade e melancolia em “Blonde” (2016).
Enquanto isso, o feminismo e as questões sociais ganharam espaço nas letras. Beyoncé lançou “Lemonade” (2016), um marco sobre empoderamento e raça; Taylor Swift se reinventou do country para o pop com “1989” (2014) e depois criticou a indústria em “Reputation” (2017); e artistas como Lizzo e Selena Gomez falaram abertamente sobre amor próprio e saúde mental.
